Solidão, por que não te apartas de mim?
Aprisionaste minh´alma
na tua prisão nefasta e corrompedora.
Privaste-me do convívio humano
forças-te-me a aceitar-te como companheira.
Procuro, em vão separar-me de ti,
entregar-me ao sublime ato de amar;
mas tua vigilância é severa e não dá tréguas.
Forças-me a viver separado do mundo,
dos prazeres da alegria e do amor,
todos esses meus desejos são por ti condenados.
As vezes penso estar liberto
deste teu jugo abominável,
mas puro desengano.
Até nos sonhos, o vilão que és tu,
aparece e põe por terra
todo aquele momento de prazer
que divagando mentalmente encontrei.
Sinto sede.
Sede de beijos.
Minha boca outrora umidecida
pelos lábios que beijei
hoje encontra-se seca,
pois de companhia só tenho a tua
que beijar não sabe.
Lágrimas?!
A longo, a muito tempo, já vai longe
a última lágrima que por minha face escorreu,
nada mais sinto que provoque este estado d´alma.
Causador único, tua presença.
Agora choro interiormente
pois as lágrimas não me correm mais na face,
e sim, no leito do meu coração.
Solidão! Deixe-me.
Tenha piedade de mim...
liberte minh´alma dessa torturosa união.
Preciso ultrapassar as barreiras do amor
que enobrece e desvanece o coração,
sentido único na vida
de todo ser que ama.
Solidão.
Encontro-me em desespero.
E do fundo de minh´alma
lanço este apelo:
deixe-me Solidão !
Se não me concederes o que peço,
terás, não uma vida sã,
mas uma vida alienada
que de nada servirá
a não ser para amaldiçoar-te eternamente.
Se quizeres persistir no teu intento,
aqui fica minha pergunta:
Solidão! onde está tua vitória?
Pois a mesma é fundida com alegria
E alegria parece ser tua inimiga!...
Que espécie de vitória celebras?
Ah!... entendi!
A alegria que acompanha tua vitória
também é uma alegria forçada,
é a minha que roubaste.
Solidão!
O cativeiro espiritual em que me deixaste
foi fatal para ti.
Pois na quietude solitária de espírito
notei que não roubaste de mim o dom de raciocinar,
capacidade suprema de todo ser humano.
Cheguei a conclusão de que não existes,
és apenas uma criação minha,
motivada pela minha descrença em Deus.
Pois o amor que a Ele deveria dedicar,
não foi dedicado, ficou um vazio,
que foi preenchido
com a criação inconsciente de ti.
Nunca acreditei na existência de Deus,
pois nunca senti sua necessidade!
Senti-a agora.
E vi que para vencer-te, Solidão,
só com amor em alto grau,
consegui-o, unindo-me a Deus.
Agora Solidão,
tire de sobre mim esse manto maligno,
não mais terás moradia em minh`alma
estou livre como um passarinho
em união ao seu bando
em busca de aventuras.
GRAÇAS A DEUS
Carlos Henrique Barros
fotografia : Rogerio Barros

Lindo! Desconhecia este perfil do Carlos... Ju, dê continuidade a esta obra!Beijos.
ResponderExcluirpoucos conheciam. mas ele era um poeta maravilhoso... faço questão de mostrar esse lado dele desconhecido! beijoos :)
ResponderExcluirObrigada por partilhar conosco. Só assim as pessoas que amamos permanecem entre nós, quando as repartimos em comunhão. Tive o privilegio de ve-lo um dia e causou-me grande impressão. Bjus familia.
ResponderExcluirobrigada querida, vc sempre por perto!
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